Paramettrus Seguros e Garantias

Como dimensionar a importância segurada da empresa

Atualizado em 6 min de leituraPor Paramettrus Seguros e Garantias

A importância segurada é o número que a empresa declara para cada cobertura. Parece uma escolha de quanto se quer gastar, e não é — é uma declaração sobre quanto se tem. Errar para baixo tem uma consequência que quase ninguém antecipa.

Subseguro: o efeito que surpreende

A intuição é: se eu declarar menos, no pior caso recebo até o limite que declarei.

Não é assim que funciona.

Quando a importância segurada é inferior ao valor em risco, a indenização pode ser reduzida proporcionalmente — inclusive em sinistro parcial.

O exemplo torna concreto. Uma empresa declara metade do valor que efetivamente tem em bens. Sofre um sinistro pequeno, de valor que caberia folgadamente dentro do limite declarado.

A indenização pode ser calculada na mesma proporção da declaração — ou seja, em torno de metade do prejuízo, e não o prejuízo inteiro. A forma exata do cálculo é a que constar das condições da apólice contratada.

Repare no que isso significa: o subseguro não afeta só os sinistros grandes. Afeta todos, inclusive os pequenos, que são justamente os mais frequentes.

É a razão de o dimensionamento ser a decisão mais importante da apólice patrimonial, mais até do que a escolha de coberturas.

Como levantar cada bloco

Edificação — o custo de reconstruir, não o valor de mercado do imóvel. Terreno não se reconstrói e valor de mercado inclui localização; nenhum dos dois é o que a apólice repõe.

Instalações e benfeitorias — o que foi investido no espaço e que precisaria ser refeito: climatização, rede elétrica e lógica, divisórias, forro, revestimento. Empresa em imóvel alugado costuma esquecer este bloco, e ele é integralmente dela.

Máquinas e equipamentos — custo de reposição por equivalente, considerando preço atual. Registro contábil depreciado subestima quase sempre.

Estoque — o valor de reposição, e no pico, não na média. Comércio sazonal que declara a média fica subsegurado exatamente na alta temporada.

Equipamentos eletrônicos — costumam ter cobertura própria e critérios próprios. Vale conferir se estão dentro do bloco geral ou à parte.

Valor contábil não serve

O erro mais comum e mais silencioso.

A contabilidade registra o bem pelo custo histórico e o deprecia ao longo do tempo. Uma máquina comprada há sete anos pode estar registrada por uma fração do valor — e continuar plenamente produtiva.

Se ela for destruída, a empresa não precisa do valor contábil. Precisa comprar outra, pelo preço de hoje.

Dimensionar pelo balanço produz subseguro sistemático e crescente: quanto mais antigo o parque, maior o desvio. E como o desvio se acumula em silêncio, ele só aparece no primeiro sinistro.

O que revisar, e quando

Na renovação, no mínimo. E fora dela sempre que houver:

  • obra ou reforma — muda edificação e benfeitorias;
  • aquisição de equipamento — precisa entrar na apólice;
  • mudança de porte do estoque;
  • mudança de endereço — a apólice é vinculada ao local;
  • aumento relevante de faturamento — puxa lucros cessantes junto.

O item mais esquecido é o de equipamento adquirido no meio da vigência. Máquina nova operando fora da relação da apólice não está coberta, mesmo com a apólice vigente e paga.

O caminho prático

  1. Inventariar por bloco, com valores de reposição atuais.
  2. Identificar o pico de estoque ao longo do ano.
  3. Somar as benfeitorias, especialmente em imóvel alugado.
  4. Conferir o critério da apólice — reposição ou valor atual — antes de declarar.
  5. Registrar a data do levantamento, para saber quando ele envelheceu.

Leva algumas horas e é o que separa uma apólice que responde de uma que responde pela metade. É trabalho chato feito uma vez, contra uma descoberta ruim feita no pior dia.

Perguntas frequentes

O que acontece se eu declarar um valor menor do que tenho?

É o subseguro, e o efeito surpreende: a indenização pode ser reduzida proporcionalmente, inclusive em sinistro parcial. Quem declarou metade do valor pode receber cerca de metade do prejuízo — mesmo que o prejuízo seja pequeno e caberia integralmente no limite contratado. Não é só o teto que cai; é o percentual de tudo.

Devo declarar o valor de compra ou o de reposição?

Depende do critério previsto na apólice, e é isso que precisa ser confirmado antes. Reconstruir ou repor pelo preço de hoje costuma custar mais que o registro contábil histórico — dimensionar por valor contábil depreciado é uma das formas mais comuns de chegar subsegurado sem perceber.

Com que frequência revisar as importâncias seguradas?

Na renovação, no mínimo, e sempre que houver mudança relevante: obra, aquisição de equipamento, aumento de estoque, mudança de endereço. Empresa que cresce e renova a apólice por inércia fica progressivamente subsegurada, e o desvio só aparece no sinistro.